Lopetegui: «Quero ser capaz de dominar todos os aspetos do jogo»
A boa campanha que o FC Porto está a realizar na Liga dos Campeões tem atraído as atenções da Europa sobre os azuis e brancos. Julen Lopetegui é o treinador responsável por conduzir os dragões aos quartos de final da Liga dos Campeões e por isso é natural o interesse dos espanhóis no trabalho do técnico.
Nesse sentido, Julen Lopetegui deu a conhecer o estilo de jogo que gosta de ver a sua equipa a praticar e entre elogios aos jogadores que orienta admitiu que existe vontade em competir frente ao Bayern Munchen na Liga dos Campeões.
«A ideia de jogo de qualquer treinador é chegar à vitória. Como treinador, o que humildemente quero é tudo, ser capaz de dominar todos os aspetos do jogo. Esse é o trabalho do treinador, simplificando muito, ser capaz de dar respostas ao jogo da equipa em qualquer momento e que os jogadores cresçam. Dada essa resposta, acredito em ter uma identidade que seja ter iniciativa, ter a bola muitas vezes no campo contrário e atacar contra equipas com ideias de jogo mais defensivas», afirmou Lopetegui, em entrevista à Marca, garantindo que nunca preocupou com as críticas ao estilo de jogo que tem tentado impor.
«Todos os processos levam o seu tempo de maturação. Quando acreditas em algo e o fazes convencido, sabes que há outras opiniões, que respeito, mas tratas de fazer o teu caminho. Fixas-te mais nas tuas convicções do que nessas opiniões. Evidentemente, as críticas são inerentes à nossa profissão, ainda mais num clube grande como o FC Porto. Há que conviver com elas com naturalidade, em alguns casos são uma fonte de energia», acrescentou.
Quanto ao facto do FC Porto ser a terceira equipa com mais posse de bola na Liga dos Campeões, com 61 por cento e apenas atrás de Bayern Munchen e Barcelona, Lopetegui admitiu que não dá grande valor à estatística.
«Queremos atacar muito. A equipa está mais cómoda com a bola do que sem ela e tratamos de tê-la. Mas não paro demasiado a olhar para a estatística. Fixo mais no que fizemos com esses 61 por cento de posse de bola, porque há muitas equipas capazes de ter a posse de bola e outras que são capazes de ser superiores sem ter muita posse de bola. Por isso o futebol é fantástico», analisou, apontando baterias ao Bayern Munchen.
«Vamos com muita vontade, com muita ambição. Sabemos que é um desafio colossal. Mas os rapazes ganharam o direito de desfrutar e disputar os quartos de final. Trataremos de fazer duas coisas: desfrutar e competir. (…) Digo-o com muito orgulho: tenho uma equipa que trabalha muitíssimo, com vontade e muita humildade. Muitos destes jogadores ainda não tinham sido titulares nas suas equipas, era um papel novo e também uma oportunidade fantástica que alguns souberam aproveitar de forma fantástica», atirou, dizendo ainda que o 4x0 conseguido contra o Basel foi resultado do trabalho realizado, embora não considere que tenha sido o melhor jogo do FC Porto esta temporada.
«Evidentemente foi um momento importante de alegria, sobretudo pelo fantástico trabalho dos jogadores desde 3 de julho. Acreditaram, quiseram, trabalharam e tiveram o seu prémio, mas sinceramente creio que fizemos partidas melhores do que com o Basel. Nesse dia fomos muito eficientes e conseguimos um resultado contundente que te dá maior repercussão na Europa».
Elogios a Pinto da Costa e à Liga Portuguesa
Questionado sobre a relação com Pinto da Costa, presidente do FC Porto, Julen Lopetegui elogiou o líder dos dragões pelo que já conseguiu e também pela maneira com acompanha diariamente a equipa.
«Não digo nada de novo se disser que é o dirigente desportivo mais importante do mundo a nível de títulos, de anos de experiência. Falamos de um homem com uma personalidade especial, de uma finura e inteligência extrema e a minha relação com ele é fantástica em todos os sentidos. Gosta de estar muito perto de nós no dia a dia e segue a equipa com uma paixão e uma energia fora do comum», comentou.
Quanto à Liga Portuguesa, o treinador do FC Porto destacou a qualidade existente em Portugal, tanto ao nível de treinadores, como de jogadores.
«É uma Liga que não é suficientemente conhecida e reconhecida em Espanha, mas é um campeonato tremendamente competitivo, com muitos bons treinadores e jogadores. Creio que é uma Liga difícil e complicada».
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