quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Velocista, atirador e polivalente


Layún é defesa por natureza, mas desempenha funções em outras posições do campo. Velocidade e remate são outras armas.

No atletismo estamos habituados a ver velocistas, no tiro atiradores, mas quando se vê Miguel Layún num campo de futebol há uma fusão entre os dois. A velocidade e o tiro de meia distância são algumas das armas deste lateral que nasceu destro - mas que por jogar várias vezes no lado oposto se tornou ambidestro - e que desempenha com competência as zonas adiantadas no terreno, sobretudo como médio - polivalência, a versatilidade, é mais uma das suas imagens de marca, tal como revelou nas primeiras declarações​ como jogador do FC Porto.

É um jogador que reúne características várias e pouco comuns para quem ocupa aquela posição. Graças à excelente condição física, é capaz de fazer todo o corredor, num vaivém constante e incansável entre a defesa e o ataque, em que se incorpora com facilidade. Tecnicamente evoluído, Layún não se limita a ir à linha e fazer uso do bom cruzamento, também vai ao centro para tentar o seu poderoso remate, sobretudo com o melhor pé. É um defesa com golo: já marcou 16 em toda a carreira, a maioria de fora da área, quatro deles num só jogo.


Mais: sabe adaptar-se a vários esquemas tácticos. Se não houver espaço para ele nas laterais, pode jogar como médio e se o meio-campo também estiver preenchido, também pode desempenhar o papel de extremo, embora seja mais atrás que se sente mais à vontade. Layún é assim, um jogador de vários ofícios, como o futebol moderno pede e privilegia cada vez mais. “Trabalho para ser o melhor. Ponto”, disse numa entrevista no ano passado.

Layún é um exemplo evidente de com trabalho e persistência tudo se pode alcançar. Desde que começou a dar pontapés na bola estabeleceu sempre objectivos. “Nunca disse ‘quero ser’, mas ‘vou ser’”, afirmou. Aos 15 anos pediu aos pais apoio para ser jogador de futebol e prometeu que se aos 20 não estivesse na primeira divisão, abandonava a carreira. E isso esteve perto de acontecer quando um ano depois contraiu uma lesão grave que o obrigou a uma longa paragem. Esse primeiro obstáculo ensinou-o a tirar todas as pedras que lhe surgiram no caminho. Assim foi. Aos 20, quando já era profissional do Veracruz, foi em busca do sonho europeu, tornando-se no primeiro mexicano a jogar na Serie A, pelo Atalanta, mas o que ele queria mesmo era regressar ao país natal para exibir a qualidade que ainda não tinha oportunidade de mostrar. Assinou pelo America e, apesar de os primeiros tempos não terem sido fáceis, foi conquistando os adeptos até se tornar um herói, quando apontou o penálti decisivo na final do Torneio de Clausura em 2013, que permitiu ao clube pôr fim a um jejum de seis anos sem um título. Confiança foi algo que nunca lhe faltou. Layún não queria ser campeão, ia ser campeão.

IN « fcporto.pt »


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